Por Kiko Bungus:

O BAGULHO FICOU LOUCO!
Pois é, como a galera “mais das antigas” sabe, a temporada de verão 87/88 foi marcada pelo aparecimento na costa brasileira de milhares de latas recheadas de maconha da melhor qualidade e esse fato levou a diversas mudanças comportamentais, culturais e outras, servindo como um verdadeiro divisor de águas.

Em muitos sentidos os verões nunca mais foram os mesmos.

Até então o bagulho vendido aqui no sul do Brasil poderia ser considerado um palhão, e muita gente fazia uma grana na época de escassez vendendo estrume seco de vaca ou cavalo ou até folha de chuchu seca, e era rei quem aparecia com algo diferente como o Manga Rosa lá do nordeste, que valia ouro, sobre tudo nas temporadas de verão.

Então imaginem o impacto quando os pescadores começaram a puxar suas redes cheias de latas de um bagulho excepcional e como não tinham ideia do valor do produto acabavam vendendo por preço de banana.

Quando as primeiras latas apareceram eram vendidas por algo como R$ 500,00 em grana de hoje, ou seja, uma pechincha, mas pros pescadores já era uma dádiva. Muitos inclusive conseguiram se dar muito bem, comprando carros e terrenos, mas logo isso começo a atrapalhar os negócios dos traficantes tradicionais que viram encalhar suas mercadorias, mofar e perderem dinheiro e daí pra guerra e carnificina foi um pulo.

Logo os traficantes tradicionais de lugares como Itajaí, que dominavam o tráfico e distribuição naquela época, partiram pro ataque, primeiro querendo comprar a mercadoria dos pescadores que sabiam ter latas, e mais tarde, com a valorização do preço das latas passaram a confiscar o produto dos pescadores e quem não gostasse levava bala.

Vários pequenos traficantes locais que tinham conseguido algumas latas também entraram na mira e muitos foram mortos.
Mas com o passar dos meses as latas foram ficando cada vez mais raras e o bagulho dentro delas já tinha ficado velho e não tinha mais a mesma qualidade, e logo o produto sumiu do mercado

Mas agora os consumidores não queriam mais saber daquele bagulho ruim de antes e passaram a ter outro nível de exigência. Palhões vivaram motivo de chacota.

Os traficantes da época tiveram que se adaptar e partiram em busca de outros fornecedores e de maconha de melhor qualidade e isso fez com que surgissem diversas variedade com designações diferentes, como o Bananinha, o Mil Folhas, o Prensado Verdinho, o Branquinho e por aí vai.

Isso tudo mostra o imenso poder do consumidor pra determinar os rumos do mercado e o quanto ele pode interferir na qualidade dos produtos e processos.

Pena que isso tenha servido tão bem pra mudar o mercado da maconha, mas ainda seja pouco empregado pra mudarmos o comportamento de empresas e a qualidade de produtos e processos que são muito mais fundamentais e edificantes pra nossa sociedade. 

Só me dei ao trabalho de fazer esse relato pra que ele sirva como reflexão e exemplo do quanto nós, enquanto consumidores, somos poderosos.

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