VÃO OS ANÉIS FICAM OS DEDOS – SURF TRIP EM PADANG PADANG

VÃO OS ANÉIS FICAM OS DEDOS – SURF TRIP EM PADANG PADANG

POR: KIKO BUNGUS

Do final dos anos 90 até 2000 e pouco a moda praia no Brasil seguia uma tendência de adoração aos adornos feitos de prata, principalmente aquela vinda de Bali, com suas características peculiares de acabamento.


Essa era uma firma muito lucrativa, pois rendia algo em torno de 1000% de lucro e muitos ganharam uma boa grana fazendo esse comércio, inclusive eu, que fui algumas vezes pra lá comprar prata por encomenda e abastecer lojas daqui do estado.


Isso fazia com que viajar pra lá fosse além de um prazer, algo também financeiramente vantajoso. Pena que a moda passou e a fonte secou.


Bom, mas de qualquer maneira eu estava em Bali em 2003 e cheguei no final da temporada, lá por setembro, pois assim eu pegaria menos crowd e voltaria com a prata no começo da temporada aqui, o que faria o giro ser rápido.

VÃO OS ANÉIS FICAM OS DEDOS - SURF TRIP EM PADANG PADANG
VÃO OS ANÉIS FICAM OS DEDOS - SURF TRIP EM PADANG PADANG

Nesse ano eu estava determinado a conseguir dominar a onda de Padang Padang, que é muito técnica e perigosa e exige uma certa habilidade pra quem pega ela de back side (costas pra onda) como eu.

Pra quem não sabe, as ondas do Butik de Bali são divididas em 4 categorias, sendo Balangan o equivalente ao primário, Binguin o secundário, o Inside Corner de Uluwatu a graduação e Padang Padang após a graduação.

Então fui preparado. Fiz o shape de uma 6.6 com o Crivella, laminei bem reforçada e essa era a prancha que imaginei ser ideal pra aqueles dias de 4 a 6 pés mais tranquilos.

Eu já estava instalado no Padang Padang Inn a mais de uma semana esperando algum swell encostar, já que naquela época não tinha essa profusão de sites de previsão de ondas e era tudo mais incerto.

Por isso eu ia várias vezes por dia pra borda do cliff dar uma checada no mar na esperança de ser um dos primeiros a cair e poder pegar umas ondas tranquilo.

Foi então que no início de tarde, numa troca de maré, eu vi que o mar de Padang Padang tinha reagido e já tinha algumas ondas na faixa de 4′ quebrando bonitas e sem ninguém, e essa era minha chance.

Peguei a prancha e sai escondido como um menino guloso.

Desci a caverna de Padang Padang empolgadaço, botei a cordinha e fui pra água sem me preocupar por estar com uma corrente no pescoço e alguns anéis nos dedos, como era normal e estava na moda naquela época.

Me posicionei no pico de Padang Padang com a liberdade de escolher a melhor, já que tava sozinho.

Quando veio a primeira série, escolhi a melhor, remei forte e fui.

Quando cheguei na base vi que tinha descido muito a parede e não daria pra voltar pra ela a tempo de passar a seção, tive que abortar a missão e tomei um pau pra ficar ligado.

Voltei chateado pro pico e já imaginando que a prancha tinha ficado um pouco estreita e fina pros padrões de onda de lá, embora pra cá certamente seria boa.

Veio mais uma série, escolhi a boa e fui, me preocupando em segurar na borda e fazer ela seguir um trilho mais na metade da onda.

Eu tava indo bem até que fiquei muito pra trás no tubo e acabei rodando junto.

Essa foi mais sinistra e por pouco não me esfolo na bancada.

Retornei pro pico de Padang Padang e agora já me questionava se não seria bom ter pelo menos mais um surfando junto.

E se eu não deveria esperar a maré subir mais um pouco, mas foi então que veio a maior série, então de novo me posicionei pra pegar a que achei melhor, remei como um louco e fui.

Essa onda já dobrou de tamanho na hora que bateu na bancada, fui arremessado lá de cima como um míssil e em seguida esmagado pela onda na bancada a ponto de ficar chapado nela.

Eu me apoiei com as mãos pra não machucar a cara mas assim que a onda passou a correnteza começou a puxar pra fora e eu me vi preso no coral por um dedo.

O anel de um dos dedos tinha ficado enganchado no coral e eu não conseguia soltar e a correnteza era tão forte que eu não conseguia me apoiar o suficiente pra me livrar daquela situação, ao mesmo tempo que o ar ia embora.

Bem aterrorizante! Eu sentia o dedo quase sendo arrancado e tentava ficar calmo esperando o fluxo da maré mudar e eu poder me livrar e foi então que veio um empurrão do mar e eu consegui usar a outra mão pra me soltar.

Tava raso e quando fiquei em pé pude ver o estrago no meu dedo.

O anel tinha entrado quase todo nele e só não arrancou por causa do osso.

Eu cuspi no dedo, com muito custo arranquei o anel que ficou torto e joguei fora.

Só então percebi que a prancha tinha partido no meio e eu tava só com a rabeta dela presa na cordinha. Presepada forte, coisa triste!

Entrei no mar, tomei 3 paus, quebrei a prancha nova na primeira queda com ela, quase perdi o dedo ou morri.

Foi uma das maiores lições que tive na vida e de forma concentrada!

A primeira coisa que fiz ao chegar na pousada foi tirar os anéis, pulseiras e corrente e hoje me envergonho um pouco de ter sido tão tolo com toda aquela ostentação desnecessária.

Tão típica de jovens com alguma grana e pouco juízo, mas a vida é assim, vão os anéis e ficam os dedos e as lições.

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