TERROR EM TÁRCOLES - SURF TRIP

TERROR EM TÁRCOLES – SURF TRIP

POR: KIKO BUNGUS

Seguíamos em nossa primeira viagem pra Costa Rica no início dos anos 90 e tínhamos acabado de ser “expulsos” da pousada que havíamos nos instalado em Jacó, nosso ponto de partida pra exploração das ondas no país.
 
Tá certo que o gringo tão simpático quanto um Tiranossauro Rex faminto, tinha nos avisado que só poderíamos ficar na pousada dele até antes da semana da Páscoa, mas ser enxotados como fomos nos fez sentir como sem tetos jogados na sarjeta.
TERROR EM TÁRCOLES - SURF TRIP
Em toda Jacó não encontramos mais nenhuma pousada com vaga, a não ser aquelas pra milionários, o que não era o nosso caso, então partimos errantes em busca de abrigo.
 
Decidimos adiantar nossa ida pro próximo destino em Boca de Barranca, mas chegando lá as condições pro surf estavam lastimáveis, sem onda e com vento e a pousadinha no pico, embora aconchegante a com piscina, algo desejável naquele calor equatorial do inferno, parecia um playground cheio de crianças berrando pra todo lado, o que seria incompatível com nosso desejo de paz e sono tranquilo pro surf.
 
Seguimos viagem até encontrarmos a onda de Tárcoles, uma boca de rio que desaguava em um costão rochoso, com fundo de pedra e uma ótima esquerda.
 
Surfamos lá até a exaustão e depois fomos procurar outro local pra ficar.
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Na busca, entre uma parada ou outra pra comermos manga ou cajú nos inúmeros pés pelo caminho, nos deparamos com uma senhorinha esguia em um portão em frente a algumas choupanas rústicas e aparentemente decadentes, mas não custava perguntar.
 
Vai que tinha alguma que nos service!?
 
A senhorinha disse que todas as 5 choupanas estavam vagas e o preço da diária pra todos nós lá era o equivalente a menos do que apenas 1 de nós pagava na pousada do gringo em Jacó.
 
Pulamos do carro e fomos checar as condições, que se fossem boas, resolveriam nosso problema de acomodação por vários dias e de forma super econômica.
 
Os bangalôs tinham 2 andares, com o 1º andar sendo a garagem e 1 banheiro e no 2º andar de madeira um quarto grandão com 3 camas de metal e de mola, estilo campanha, ventilador de teto e um quarto pequeno com uma cama de casal.
 
Como estávamos em 9 cabeças, usaríamos 2 bangalôs.
 
Conseguimos encontrar 2 aparentemente com condições de uso, embora com ventiladores de teto balançando e rangendo como prestes a caírem em nossas cabeças, janelas empenadas e difíceis de abrir ou fechar, banheiro com “chuveiro” que era apenas um cano saído da parede e o piso do assoalho do quarto não inspirava muita confiança, então era bom pisar leve.
 
Sentiram o drama?
 
Reunião feita, prós e contras, decidimos ficar ali aquela noite, ajudar a tiazinha a dar um trato nos bangalôs da galera e ver qualé, já que só ficaríamos ali pra dormir mesmo e o resto do dia seria só surf, aventura e pura vida.
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Chegada a noite o breu se abateu no meio da floresta e só havia um lâmpada pra cada andar, mas seria o suficiente.
 
Por outro lado a falta de mosquiteiros, ventiladores de teto mais lentos que uma lesma mecânica barulhenta enferrujada e camas que rangiam a cada mínimo movimento fizeram dormir ser um desafio, mas pra piorar, depois que apagamos as luzes, barulhos estranhos apareceram no quarto e de repente alguém berrou, levantou apavorado e acendeu a luz a tempo de vermos uma nuvem de morcegos lá dentro.
 
A Cris, namorada do China, começou a berrar e a dizer que não queria ficar mais lá e em pouco tempo o alvoroço tava instalado.
 
Era início da madrugada de uma noite longa, com luzes acesas e enquanto tentávamos espantar os morcegos pra fora, insetos da floresta entravam pra ficarem voando ao redor da lâmpada.
 
Se eu fosse entomólogo (estuda insetos), seria um sonho, com a quantidade de insetos voando ao redor da lâmpada, mas não era o caso e parecia mais um pesadelo mesmo.
 
Mas não dava pra apagar a luz e insetos seriam melhores que morcegos.
 
Ali pelas tantas, quando alguns ratinhos começaram a sair de algumas frestas, já nem parecia tão ruim e deu pra entender porque as camas eram de ferro e altas, assim os ratos não conseguiam subir.
 
Muito esperto!!!!!
 
Quando finalmente os pássaros começaram a cantar anunciando o alvorecer, ainda estava meio escuro mas era o suficiente pra gente levantar daquela noite pra lá de mal dormida e irmos atrás das ondas antes do vento.
 
Combinamos de surfar Tárcoles de novo, agora sem vento e com certeza ainda melhor, voltarmos, pagarmos a tiazinha e seguirmos viagem.
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Surfamos e quando a gente se preparava pra entrar no carro depois do surf, um pescador nativo perguntou se a gente tinha surfado ali, com a nossa resposta positiva ele arregalou os olhos e perguntou se éramos loucos, pois aquela boca de rio era repleta de crocodilos, fora os tubarões do recife e que ninguém surfava ali por causa disso.
 
Bem que tínhamos visto umas rabetadas dentro da água mas pensávamos ser peixes grandes.
 
Tínhamos tido muita sorte de surfar e não sermos devorados!
 
Putaqueospariu, como a gente era sem noção!
 
Saímos apavorados e fomos pros bangalôs pagar a tiazinha, pegar nossas coisas e ir embora daquela roubada.
 
A senhorinha ficou triste com a nossa partida.
 
Demos uns presentinhos e uma gorjeta a mais pelo trabalho, mas explicamos que o pico ali perto era muito perigoso pra surfar, o que ela concordou totalmente.
 
Depois dessa sucessão de perrengues decidimos sair do Pacífico, atravessarmos pro Atlântico e irmos pra Puerto Viejo atrás das ondas de Salsa Brava, esperando dias mais tranquilos, mas aí são outras histórias.

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