Por: Xandão Barros

Atletas testam, diariamente, os limites do corpo e a cada movimento arriscam sua integridade. Na real, na maior parte dos casos, as contusões são facilmente superadas, em outros, é necessário ter paciência e foco na recuperação. Ninguém gosta de se machucar e, em teoria também não gosta de machucar o adversário. Quer dizer, tirando o MMA, onde o objetivo é exatamente esse: machucar o adversário. Esporte é saúde, todos sabemos. A prática esportiva diária, não só torna a vida mais longa, como aumenta (e muito) a qualidade dessa longevidade. A grande questão é a intensidade com que é feita essa prática. Atletas de ponta muitas vezes extrapolam os limites do corpo durante os treinamentos, ignorando todos os sinais de “over training” e dores crônicas. Isso pode ser o início do fim de qualquer carreira ou, no barato, de um “pit stop” forçado. Quem treina forte, sempre terá uma dorzinha aqui e ali… O que não é motivo para parar de treinar. Eu e boa parte dos companheiros de tatame treinamos por anos com os dedos amarrados com esparadrapo. Meu mestre sempre falava: machucou o dedinho, é? Corta fora e vem treinar!!

Respeite a contusão

Nessa precisamos ter bom senso, para saber se a contusão é séria ou frescura. O mais importante é, logo depois de sentir que se machucou, parar e ver como fica quando o corpo esfriar. As vezes uma contusão boba, vira um problemão se insistirmos em seguir com o treino. Enfim… Há pouco mais de 15 anos, resisti a um golpe e, numa chave de cervical (golpe proibido atualmente), pincei os nervos que ficam entre as vértebras C5, C6 e C6, C7. Cheio de dor, procurei um ortopedista e, ao invés de perguntar como me recuperar 100%, questionei o tempo que estaria de volta treinando forte. Dr. Street, amigo da minha família, médico e lutador disse para fazer 10 sessões de fisioterapia e voltar na manha, tanto nos treinos de bjj quanto nas ondas. Na manha, sei! Tirando as sessões de fisioterapia, o resto do conselho foi ignorado e, dopado de anti-inflamatórios voltei com tudo para o tatame. Foram três meses de comportamento espartano, com o perdão do trocadilho. Uma total inconsequência que me custou meses de recuperação para voltar ao tatame e alguns anos para recuperar a confiança. Valeu a pena tentar ganhar da contusão na raça? Terminantemente, não. Acupuntura, shiatsu e natação me salvaram. Nessa, serei eternamente grato ao amigo Sashide, suas agulhas e as sapateadas que deu nas minhas costas. Depois de um tempo, fiquei quase novo, mas aprendi a lição: não brigue com a contusão. Até rimou. Do tatame vamos para o mar. Muitos surfistas e bodyboarders podem evitar dores na coluna, ombros e joelhos, se fazendo um aquecimento sério antes de remar pro outside. Deixar os músculos prontos para o treino é imprescindível e, além de prevenir as lesões, aditiva a performance do atleta. Agir com responsabilidade também ajuda. Quando mirar naquele lip cascudo e pensar no ataque, pese também as consequências. Existem riscos que valem a pena correr, outros não. Sabedoria é conseguir diferenciá-los. Esporte é saúde, é vida. Hoje (1/9), dia do Educador Físico, aproveito para homenageá-los. Quer melhorar a performance nas ondas, tatame, pista de skate ou octogon? Procure um bom preparador físico e dê um upgrade na carcaça, nos resultados, além de prevenir e tratar contusões. Vale a pena investir! Comece ontem! O poeta Bob Marley, na música “could you be love”, filosófa em um dos trechos: apenas o mais preparado dos preparados sobreviverá, mantenha-se vivo. Bora pro tatame que tem onda!

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