Marcelo Massi (Chelo): “o surfe sempre vai ser esse tipo de coisa, imagina, nós estamos aqui relembrando a história do surfe na cidade, homenageando isso, olha a essência que o surfe traz, olha as pessoas se encontrando, contando a sua história, o surfe realmente tem esse poder, quando é alma mesmo, surfe puro, tem um poder de cuidar das praias, de reunir os amigos, e fazer muita coisa boa pra esse mundão, e eu acho que o surfe é uma coisa importantíssima! Parabéns para o surfe!”, diz o Legend Local, após algumas Coronas entre amigos.

O RESGATE REGADO À CORONA

Com a passagem do Circuito The Legends Vida Marinha por Laguna, a Assessoria de Imprensa do evento quis comentar sobre o surgimento do surfe no município e homenagear os Legends Locais. Para isso, procurou a ASL (Associação de Surf de Laguna) para coletar informações e receber a indicação das pessoas a serem homenageadas.

Nesta ocasião foi percebido que a história dos primórdios do surfe lagunense estava se perdendo, estava muito fragmentada e pouco divulgada. Numa parceria entra a ASL e a organização do evento, iniciou o resgate desta história, para ser reconhecida, divulgada e respeitada.

A ASL preparou uma janta na sua sede em frente aos Molhes da Barra e convidou alguns Legends Locais. Regados à Cerveja Corona, os pioneiros do surfe lagunense começaram a falar e regatar as lembranças. Foi uma noite de energia muito boa e muitas rizadas.

A HISTÓRIA, PELA CONSTRUÇÃO COLETIVA

Em um bate papo descontraído entre todos os Legends, a ASL e a Swell Eventos, compreendeu-se que o surfe em Laguna iniciou por volta de 1968, com a vinda de alguns surfistas cariocas e paulistas. O pessoal de Imbituba (com alguns Gaúchos) descobriu também nessa época que, quando não rolava onda boa em Imbituba e soprava vento sul, tinha onda boa em Laguna.

O Legend José da Silva Pinheiro Filho relatou que: “as primeiras pessoas de Laguna que chegaram com pranchas foram o Perre e o Nonó (Norton), e a prancha era colada e injetada espuma, era pesada, cada um comprou uma, dai todo mundo queria ir la ver eles surfarem, isso em 1971 ou 72. Em seguida já começou a aparecer outras no nosso grupo daqui, eu, o Gerson, o Moelinha , o Remi, o Jorginho e o Nabor. Tinha uma galera de Tubarão na mesmo época, que surfavam junto, como o Ratão, o João e outros”.

“Nós podemos dizer que fomos os pioneiros do surfe aqui em Laguna”, falou o Legend Gerson Nobre. João Schambeck contribuiu na fala do amigo, dizendo que: “Em 1973 comprei a minha primeira prancha e fui o primeiro surfista em Araranguá, vim pra Laguna no verão de 74. Neste verão tinham uns 10 surfistas já, como o Dó, o Jairo Toneli, o Ratão, o Ibere, o Machucho, o Questa, o Endinho, o Zé, e outros”. Os Legends citaram outros nomes, como Machuco, Nabor, Moela, Jorginho, Remi, Checolau, Aloísio Peixe, Peta, etc.

Emerson Peta levou uma revista do final da década de 70, com uma reportagem de Ricardo Bocão nas ondas grandes da praia do Cardoso, mostrando que todo este reconhecimento perante uma das maiores e melhores Ondas Grandes do Brasil não é de hoje.

NÃO ERA FÁCIL!

Pinheiro contou que: “Na nossa leva a gente passou muito trabalho, naquela época a gente não sentia, mas se hoje formos pensar, nós não tínhamos equipamentos, pranchas, cordinhas, parafina, roupa de borracha, não tinha instrução, então as cordinhas eram garrotes, parafina fazia em casa, tínhamos começo de hipotermia, consertava as pranchas em casa com resina e catalisador, depois o Nabor veio a montar essa oficina, de onde saiu a primeira prancha, que era uma prancha descascada. Eu usei muito esta prancha, e depois de um tempo eu vendi ela para o Thomazinho, que estava começando, ele e o Eduardo Nedeff. Não é uma prancha qualquer, ela tem história”.

Joaõ Schambeck confirma o relato do amigo, citando que “As roupas de borracha eram uma relíquia. Antes eram usadas as roupas de borracha de mergulho, que tinha uma saqueira que a gente cortava, pois pegava na prancha, e a roupa assava o pescoço de uma forma que ficava em carne viva”. Geraldo Rinaldi lembra que “o primeiro Long Jhon de surfe foi comprado de um Australiano, que estava morando no Farol e vendeu um Long Jhon completo da Rip Curl, que ninguém tinha”.

“Quando dava vento sul, estávamos no jardim ou jogando bola com alguém, pegava a bicicleta e a prancha e vinha pros Molhes, só ai que víamos se a onda estava boa ou não. Não existia a facilidade de previsão antecipada ou boletim de ondas”, segue resgatando a história, Pinheiro. Geraldo Rinaldi lembra que “as fotos de surfe começaram depois de 1975 em Laguna, com filmes para revelação, que demoravam quase um ano para ficarem prontas”.

João interfere na fala do Pinheiro, falando que “éramos surfistas altamente discriminados, nos julgavam maconheiros, vadios”. Pinheiro complementou o relato: “Vocês sabem o que as mães diziam pras meninas? Vocês não namoram com esses rapazes… porque a gente andava cabeludo, andava na praia, porquês éramos o terror das mamães”. Em meio à rizadas, João aproveitou e finalizou: “os gaúchos vinham pra cá, mas as gaúchas vinham também”.

Na dificuldade, os amigos se ajudavam. Uma curiosidade percebida durante a confraternização foi que João Schambeck foi quem deu a primeira prancha do Chelo, e o Geraldo Rinaldi foi quem deu o primeiro emprego para o Chelo.

O INÍCIO DO LOCALISMO

Pinheiro lembrou que: “depois passou um tempo e começou a crowdear esses Molhes. Chegava aqui e estava cheio de gente, mas, dai algumas pessoas começaram a jogar pedras na água e as pessoas começavam a sair. Chegou um tempo e aconteceu que a gente chegava pra surfar e a galera pegava a pranchinha e ia remando pro lado, e nós íamos nos juntando, o canto era nosso, todo mundo sabia disso. Depois tinha uma época que quem surfava ali era só quem a gente deixava, o Ratão, o Checolau, etc. A gente só queria o que era nosso”.

“Logo após isso os surfistas dos outros Estados começaram a conhecer as praias de Garopaba (que praticamente não tinham acesso), pois eram expulsos de Laguna”, complementa Pinheiro.

O INÍCIO DO SURFE COMPETITIVO EM LAGUNA

João falou que “Imbituba estava no auge, Imbituba iniciou o surfe competitivo aqui”. Geraldo Rinaldi lembra que “a primeira competição de surfe em Laguna foi o Checolal que fez, junto com o Bento, com o Xavier, o pessoal que morava em Imbituba, provavelmente em dezembro de 1977, e não foi realizado devido à condições climáticas, e depois foi refeito com altas ondas, a galera toda aqui do sul correu”.

CONCLUSÃO

Fernando Lopes, Locutor Local da ASL, disse que “falta a galera mais nova conhecer, saber quem é quem, pra respeitar”. Maurílio Kfouri Neto, Presidente da ASL, concordou com o Lopes, falando que “basta a nova geração conhecer o passado, saber respeitar quem são os locais antigos do pico”.

Desta maneira, a passagem da primeira etapa do Circuito The Legends Vida Marinha, apresentado pela Cerveja Corona, contribuiu para ser dado o primeiro passo no resgate da história do surfe lagunense, que pode ser mais aprofundada a partir de agora, com esta motivação.

O CIRCUITO

Apresentado pela CERVEJA CORONA, o Circuito é composto por 4 etapas, realizadas em algumas das melhores praias para o surfe em Santa Catarina. As próximas etapas acontecerão em 27 e 28 de julho (Garopaba); 19 e 20 de outubro (São Francisco do Sul); 14 e 15 de dezembro (Florianópolis).

Como premiação, o Circuito distribuirá um total de R$10.000,00 em dinheiro por etapa, além de somar 1.000 para o Ranking Brasileiro Master Profissional da ABRASP (Associação Brasileira de Surf Profissional).

PARCEIROS DA ETAPA DE LAGUNA

Patrocínio: Vida Marinha e Prefeitura Municipal de Laguna.

Apresentação: Corona.

Copatrocínio: Banana Wax; Kbral Auto Center.

Apoio: Hotel e Restaurante Atlântico Sul; Hotel Renascença; Hotel Mar Grosso; Studio Zero Agência de Marketing; Restaurante Pardal’s; Restaurante El Chicano; Sul Internet.

Ações Socioambientais: Meu Copo Eco; ONG Eco Local Brasil; Carbo Brasil; Polícia Ambiental de Laguna; Marinha do Brasil; Açaizero; SEPAGRI Produção: Swell Eventos; Match Sports.

Realização: Swell Eventos; ASL; ASTFSM.

Supervisão: FECASURF; ABRASP.

Fotos: Cedidas pela ASL.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.