Por: Kiko Bungus

Era 95 e estávamos em nossa 1ª viagem pra Costa Rica, numa barca com 9 cabeças, o que normalmente é bem complicado.

Nela estava eu, o Jan Bruinjé, o China (China Glass) e a Cristina Melim(namorada dele na época), o Chiclete e a namorada dele, o Rodrigo, o Seco Rafael Simoes e o Rogério (um amigo do China de Curitiba que não conhecíamos), e depois de uma viagem cansativa, com muitos imprevistos e escalas (nosso voo passou por Santiago, Lima e Guayaquil), finalmente chegamos em San Jose de madrugada e moídos. Dormimos como possível no saguão do aeroporto, esperamos amanhecer e abrirem as agências de aluguel de carro pra alugar algo pra seguir logo pro litoral atrás das ondas e ar fresco.

Conseguimos alugar uma Towner (o veículo que cabia nos nosso parcos orçamentos individuais naquela altura de nossas existências), nos embolamos como deu dentro dela, com mais de 20 pranchas no rack e partimos rumo ao desconhecido e avante.

A paisagem deslumbrante de lá com a estrada passando pelo meio de florestas com árvores de mais de 40 metros nos deixava boquiabertos, mas ao mesmo tempo os buracos gigantes na estrada nos deixavam atentos.

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Finalmente chegamos a Jacó, a cidade litorânea com ondas mais perto de San Jose e fomos procurar uma pousada boa e barata perto da praia.

Foi uma tarefa árdua, com um calor escaldante que fazia derreter o asfalto e as havaianas grudarem nele. Sinistro!

Finalmente encontramos uma pousadinha mais agradável, um pouco mais afastada mas com uma piscininha pro refresco da raça.

Tudo ajeitado nos quartos, partimos agoniados atrás das ondas.

Como não sabíamos as condições do mar cada um levou pelo menos 2 pranchas e o Rogério foi o último a por as pranchas, sempre mais enrolado.

Em Jacó as ondas tavam pequenas, fracas e fechantes, o que foi desanimador , então nos informamos com locais e partimos pra checar Playa Hermosa.

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Como o sol era escaldante e o calor matava, nosso piloto Jan, resolveu estacionar debaixo de uma das poucas árvores perto da praia mas calculou mal a altura do carro e acabou enroscando as pranchas nos galhos da árvore. A raça saiu apavorada pra ver o estrago mas só detonou as 2 pranchas do Rogério, que eram as últimas. A barca começou mal pra ele. E pra piorar ele inventou de tentar colher cocos no único coqueiro do mundo cheio de pregos e acabou rasgando o pé feio em um deles. Se ferrou! Alguns dias sem surfar.

O mar tava bem difícil, com correnteza forte e ondas por volta de 6′ fechantes (a maré tava muito seca), o que fez com que a namorada do Chiclete, que era bodyboarder passasse um perrengue danado e acabou perdendo os 2 pés de pato.

Não sei se alguém conseguiu pegar alguma coisa alem de ondas fechantes, caldos e sacodes naquele dia, mas voltamos quase felizes pra pousada imaginando que o outro dia seria bem melhor (ou não teria como ser pior!).

Chegando na pousada foi uma correria pra piscina e o Jan, o primeiro a cair, acabou dando com o nariz no fundo, uma vez que a gente se esqueceu de ver a profundidade dela antes e ela era bem rasa, além de pequena.

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Bom, o que poderia ser melhor? Só uma noite com calor infernal, sem vento, sem ar e cheia de mosquitos.

Pozé galera, a melhor maneira de não se decepcionar ou iludir é nunca criar expectativas sobre nada e curtir o que aparecer, tirando o máximo proveito de tudo, sejam alegrias, sejam fracassos.

Normalmente o que um dia já foi uma tremenda roubada numa barca alguns anos depois se torna motivo de risadas e boas lembranças.

Essa barca foi uma escola de vários ensinamentos e embora tenha sido carregada de percalços e surpresas, no fim deu tudo certo e todos saíram mais ligados e quase inteiros.

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