Por Kiko Bungus

Todo surfista que se preze tem o sonho de pegar a onda da vida e seja onde for ele vai atrás dela.

Era o ano de 2000 e a manézada de Floripa em peso tava na temporada balinesa se esbaldando naquelas ondas e vez por outra dando um tiro nas outras ilhas na busca de mais emoção.
Com a aproximação da lua cheia nossa barca ficou ouriçada que nem lobisomens esperando o momento da transformação, já que esse era o sinal pra pegarmos Desert.
Pra bom entendedor a lua é mais importante que o swell lá em Desert.
Enquanto outros surfistas esperavam um swell consistente pra ir pra lá nós esperávamos apenas a lua certa e isso fazia com que pegássemos diversas vezes a onda sem ninguém mais além da nossa barca, o que por si só já é um sonho, já que lá sempre foi uma dos lugares mais cobiçados.

Como era de costume na época optamos por ficar em Guili Nanggu, pelo custo benefício e comodidade de chegar no pico de barco, o que em dias maiores e nervosos era a diferença entre pegar 2 ou 3 ondas a mais.A ONDA DA VIDAQuando nosso barco chegou na pequena baia antes de Desert, as linhas que entravam nela já mostravam que não só estava perfeito como tinha uma ondulação sólida de 6 a 8 pés pelo menos, então começou aquele processo fisiológico inevitável de um misto de euforia, suor, dor de barriga, palpitação e tremor, beirando um colapso sensorial.

A galera, como que dominada pela euforia quase virou o barco com a movimentação frenética pra buscar as pranchas e cordinhas maiores, arrumar as coisas logo e pular na água o quanto antes pra não perder nem um segundo daquele espetáculo da natureza. Parecíamos caranguejos cozinhando em uma panela dentro daquele barco e mal chegamos no pico todos já estavam na água.
As séries lembravam comboios de trens em sequência que tinham mais de 10 ondas cada uma, pra alegria de todos.
Sobrava onda, já que como esperado só estava a gente do barco e mais 2 barcas de amigos que foram de carro e aguardavam lá na bancada pra entrar. A ONDA DA VIDAEu tava nervoso, era a minha primeira queda com aquela 6.6 do Stowz e as ondas não estavam exatamente aquele Mumu. Tava mais pra uma Buchada de Bode com Vatapá, Caruru e carregada na pimenta. Tinha que ficar esperto!
E foi então que todos já tinham pego as suas ondas, só tava eu no pico esperando a próxima série e ela chegou com tudo.
A corrente no contra fluxo das ondas me jogou ainda mais pro pico mesmo eu querendo remar mais pro ladinho e pegar no mais fofo, então virei e remei pela vida pra tentar dropar com segurança e foi aí que o shape do Stowz mostrou a diferença.
A prancha parecia um Cadillac em uma auto pista de 1º mundo e dava toda a segurança na linha da onda, que eu ia fazendo de forma mais redonda pra estudar a prancha e foi então que eu comecei a ouvir os berros de “acelera, acelera”, vindo do Sandro Gordinho e do Negão Jorge, que voltavam das ondas que tinham pego.
Eles me alertavam pro momento que a onda ia encaixar na bancada lá na 2ª seção e eu precisava estar muito mais rápido pra conseguir passar por ela, então acelerei como louco e no meio da 3ª pedalada eu fui engolido por um cilindro que carregava o barulho de uma locomotiva. A ONDA DA VIDAImediatamente fiquei inerte, totalmente imóvel e deslumbrado por aquela visão inesquecível, onde o tempo e todos os sentido param. Eu me sentia em outra dimensão vendo o mundo pela boca de um cilindro lindo, e foi então que saí daquelas entranhas totalmente fascinado.
Vendo que a próxima seção seria ainda mais rápida e eu tinha perdido o time eu virei o bico da prancha pra bancada e saí dela a tempo de ouvir a onda explodindo como uma bomba atrás de mim.
Lá na praia eu consegui ouvir a galera vibrando e meu sorriso quase rasgou as minhas bochechas e deslocou meu maxilar. Quando saí da prancha na bancada rasa eu mal conseguia ficar em pé com a descarga de adrenalina e as pernas moles, além de não conseguir parar de rir de felicidade. Foi um momento de êxtase total! Eu agradeci a Deus, agradeci o cosmos, agradeci os gnomos e elfos, agradeci tudo!
Fui lá na areia comemorar com a galera e assim que a série passou eu voltei pra água pra tentar repetir o feito.
Infelizmente na próxima onda eu não acelerei o suficiente no momento certo e acabei rodando com a onda e batendo com a base da coluna na bancada rasa, saindo todo esfolado mas feliz e nem no resto daquela seção de surf nem nunca mais na minha vida eu consegui repetir um momento tão espetacular e intenso no surf.
Mas eu não tenho absolutamente nada pra reclamar, afinal aquele momento tá aqui registrado nos meus neurônios pro resto da minha vida. Era isso que eu buscava!

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