O SWELL ÉPICO DE 86 - SURF EM FLORIPA

POR: KIKO BUNGUS

O SWELL ÉPICO DE 86 – SURF EM FLORIPA

Quem não testemunhou o swell histórico que rolou durante o Hang Loose 86 pode achar que aquele swell durou pouco tempo, mas na realidade ele se prolongou por umas 3 semanas, começando alguns dias antes do campeonato e terminando alguns dias depois, com alguns altos e baixos (não tão baixos) e viradas de vento.

Por isso os gringos piraram!
Na época eu era militar, trabalhava na 16ª CSM ali no centro de Floripa, e por causa da crise econômica (novidade!), o expediente ia só até o meio dia.

O SWELL ÉPICO DE 86 - SURF EM FLORIPA
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Pra mim tava ótimo, já que nos dias que eu não tava de serviço e tinha que ficar 24 horas na corporação, eu ligava pro meu irmão pegar as pranchas e o carro do véio, buscar os parceiros da barca, como o Carneirão, o Telmo Pedreira, o Renato, o Cebinho, o Luiz Cláudio ou mais algum dos muitos amigos pra rachar a gastrol e me pegar ali na Praça 15.


Nesse dia eu tava angustiado, pois rolava um burburinho danado do dia anterior, por conta do swell grande de leste que tinha encostado.


Em pouco tempo estávamos a caminho do Santinho, onde a gente imaginava que daria pra pular da pedra lá na lage e naquela condição estaria menos perigoso que pra entrar na Joaca.


Como era depois do meio dia, a maioria da galera da barca já tinha ido mais cedo e só estava eu, meu irmão Ló Ferreira e acho que o Renato e o Cebinho.

O SWELL ÉPICO DE 86 - SURF EM FLORIPA
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Quando finalmente chegamos na praia lá no canto esquerdo, a visão era surreal! As ondas estavam gigantes, com 8 a 10 pés e parecendo o Expresso Gamboa da Guarda, mas com uma situação cabulosa, com séries intermináveis que lambiam o costão e tornavam pular da pedra perigosíssimo.

Tanto que não tinha ninguém na água e só alguns surfistas olhando incrédulos.


Tocamos pra Ponta das Canas, onde as ondas entrariam mais filtradas e passando pela pracinha dos Ingleses dava pra ver uma galera surfando umas ondas bem na beirinha.


No caminho pra Ponta encontramos o Davi Severo, que pegou uma carona, disse que tava de gala e que nunca tinha visto igual.


Quando chegamos perto da praia, ele disse pra deixarmos o carro ali, já que a ressaca tinha levado a areia e parte da rua, com a água chegando nos muros das casas.

Estacionamos e corremos pra ver o espetáculo da natureza.


A galera do surf que tava lá não acreditava no que via.

Ondas de 3 a 5 pés quebrando em séries de mais de 15 ondas, vindo de trás do costão e indo até o pequeno pier lá no fim da praia, na divisa com a Cachoeira.

Era incrível!

O SWELL ÉPICO DE 86 - SURF EM FLORIPA
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Pegamos as pranchas e fomos pra água. Na época eu tinha uma Style 6.4 quadri e uma Summerbird 6.0 também quadri que normalmente meu irmão usava.


Levei a Style, na ponta do costão esperamos pacientemente uma parada na série e nos jogamos remando pela vida.


A corrente pro meio da praia tava absurda e depois de quase chegar a exaustão, ofegante e com o coração saindo pela boca, consegui passar a rebentação lá no meio da praia, mas não enxergava mais ninguém e o costão parecia lá em outro planeta.

Tive que remar por fora mais de meia hora pra conseguir chegar mais perto do pico, dar uma descansada rápida antes de ser levado pela corrente e remar pra baixo no pico pra pegar alguma onda.


A corrente atrapalhava bastante mas consegui finalmente ir em uma boa e depois que coloquei a prancha no trilho a visão era de estar em um filme como o Endless Summer, com uma parede interminável na minha frente e eu nem sabia o que fazer direito com medo de errar a leitura, perder a onda e ter que começar tudo de novo.


Depois de intermináveis rasgadas e cut backs as pernas amoleceram e eu mal conseguia passar a onda, até que deitei, mirei pra praia e saí exausto na Cachoeira do Bom Jesus.

O SWELL ÉPICO DE 86 - SURF EM FLORIPA
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Levei um tempão pra chegar no carro me arrastando e no caminho encontrei vários amigos na mesma situação, semimortos mas radiantes.


Já no carro a barca decidiu procurar outro pico menos sacrificante e resolvemos ir Praia do Forte ou com mais sorte no Sovaco das Cobras.


Um pouco antes de Canasvieiras vimos uma barca saindo da rua que dava no Rio do Brás e bateu a curiosidade de dar uma checada lá.


Na praia ficamos de cara com a visão.

Bem na boca do rio quebravam 2 picos triangulares com meio metrão, parecendo Navegantes, uma direita mais longa com a esquerda curta e uma direita curta com a esquerda longa.


Era o sonho de qualquer surfista merrequeiro exausto.
Na água tinham mais 2 barcas que já estavam lá desde cedo e disseram que as ondas tavam bem melhores na maré enchendo, agora estavam demorando e fechando mais.


De fato elas estavam mais demoradas e fechando mais rápido a medida que o tempo passava e depois que as outras barcas foram embora também decidimos procurar um pico com mais qualidade.


No Sovaco das Cobras em Canasjurê não tinha mais praia e a água chegava nas árvores, com uma corrente absurda e ondas de um metrão, mas meio sem parede.

Tocamos pra Praia do Forte.
No Forte a condição era épica, como em Ponta das Canas, mas com a mesma corrente, algumas poucas cabeças visíveis e ondas de 4 a 5 pés que vinham lá detrás do Forte e passavam pela baia em paredes longas que iam lá pra Daniela.


Eu não tinha mais braços pra pegar a direita mas chegando mais perto do costão que ia pra Daniela rolava uma esquerda em pé pra dentro da Praia do Forte e foi ali que nós ficamos até os braços caírem no fim de tarde.


Foi um dos surfes mais exaustivos da minha vida e eu não conseguia segurar um copo.


No outro dia tive que ir trabalhar moribundo e pensando no que estava perdendo, mas as tardes prometiam, mas aí já é outra história.

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