O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE IV. O MATADEIRO.
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POR: KIKO BUNGUS

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE IV. O MATADEIRO.

Seguindo o roteiro daquele swell inesquecível de 86, chegou o dia então que o vento virou.


Naquele tempo, o regime de ventos na ilha era quase um relógio perfeito, onde ventava 3 dias do quadrante norte e 3 dias do quadrante sul.


Lembro que o dia amanheceu ensolarado, como estavam sendo todos os outros, e praticamente sem vento, mas sabíamos que o sul iria entrar a qualquer momento, e como as ondas continuavam de leste, a pedida era o sul da ilha e em especial o Matadeiro.


Saímos em 2 barcas, uma, a do Borracha, com o Geraldo, o João Belga e mais uma galera na Variant, e nós, com mais uma raça na Brasília do véio, que foi socada com gente até na cachorreira.

Mas aquele carro era como coração de mãe, cabia todo mundo!


Checamos o Morrão, que tava bonito de textura mas fechante, e na curva da Caldeira, que tava de gala, com braços longos de esquerda vindo lá detrás do costão, uma galera boa na água quebrando e vários gringos juntos, mas complicadíssimo pra pular das pedras e depois que vimos uns caras se ferrarem e em especial um que se deu especialmente mal ao ponto de ter que ser resgatado já quase desacordado e todo rasgado pelos mariscos, decidimos tirar o trauma surfando mais tranquilos lá no Matadeiro mesmo.

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE IV. O MATADEIRO.
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Naquela época, quem não sabe, o molhe de pedras se restringia a uma parte da praia da Armação onde ficavam os barcos de pesca, mas ainda havia a troca de água entre a Armação e o Matadeiro, o que fazia com que a areia se acumulasse por ação do rio Sangradouro ao lado da Ilha da Campanha (que na época não tinha ligação com a terra na maré cheia ou com ressaca).

Sendo assim, a onda detrás do costão da Campanha era a melhor e lembrava muito os cilindros perfeitos de Pipe quando tava grande e só os melhores caíam lá.

Não tinha outro caminho que não fosse o drop já entubando, e não eram todos que tinham a técnica.


Tinham carros estacionados até lá na curva da Armação e tava cheio de gringos top mundiais.


Os caras se mostravam maravilhados e era só wonderfull pra todo lado.


Depois de tantos dias com ondas espetaculares e tantas mulheres maravilhosas dando mole, os caras já pensavam que o Brasil era o bicho, que Floripa era o paraíso e alguns já queriam ficar morando por aqui.

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE IV. O MATADEIRO.
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Da boca do rio dava pra ver que tava grande, com caras dropando ou vindo por dentro lá detrás do costão da Campanha, onde tinha até certo crowd, então decidimos ir lá pros lados do Jacaré, onde estariam menores as ondas e o crowd.

Era o que pensávamos, mas de cima do morro na trilha percebemos que todos deviam ter tido a mesma ideia e nunca tínhamos visto o Matadeiro tão crowd.

Eram 200 cabeças fácil! Berros e confusão por toda parte, com pessoas sem nível de surf pra aquele mar se aventurando e provocando vários acidentes. Parecia que todo mundo tinha virado surfista de repente.


Procuramos um bolinho com conhecidos pra pelo menos delimitarmos uma área só pra nós e podermos surfar com menos pressão.


Eu já tava cansado de me estrepar, a quilha da Summerbird nem tinha ficado muito bem colada por conta da pressa pra consertar e eu não queria arriscar colocar na água minha Troop´s novinha que eu tinha acabado de pegar lá no China, nem tinha curado ainda e ficou no carro pro caso de necessidade.

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE IV. O MATADEIRO.
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Dentro d’água as ondas e o crowd dispersaram a raça e eu tava tendo dificuldade pra entrar nas ondas com minha prancha pequena pra aquelas ondas de 2 metros a 1 metrão e meio, com algumas intermediárias menores, mas como uma concha, jogando o lip e formando cilindros secos.


Então veio uma esquerda perfeita pra mim e a galera colocou uma pilha danada, e mesmo dropando meio atrasado eu fui na confiança que de back segurando na borda daria, mas não deu!

Tomei uma vaca de cinema, daquela que me chapou de peito no fundo e quase dobrou minha coluna, mas como tava raso, logo fui pra superfície a tempo de ver a raça rachando o bico com a minha cara.

Quando olhei minha prancha, só tava um pedaço da rabeta. Perda total! Fiquei puto!


Eu teria que procurar a chave do carro, ir lá buscar minha Troop’s nova dentro dele, passar parafina, colocar a cordinha e voltar tudo de novo.

Não tinha outra alternativa!


Na volta, quando eu cheguei no morrinho da trilha, o vento sul entrou forte e eu só esperava não chapar as ondas ou atrapalhar no drop.


Pra minha alegria uma galera saiu cansada ou por conta do vento atrapalhando e pude ir fazendo a cabeça enquanto colocava a prancha no pé e ela ficou uma nave, com drop e drive fáceis!

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE IV. O MATADEIRO.
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Mas então entrou um seriadão de gala e meus amigos do Matadeiro, como o Maurício e o Renato Melo colocando pilha, eu fui com tudo, dropei de cabeça pra baixo e chegando na base, quando achei que seria só alegria, a onda me engoliu, amassou, esmagou, esmigalhou, moeu, torceu e cuspiu o bagaço.

Putaqueospariu, destruiu minha moral, meu ego e minha prancha! Mais uma vez a raça morreu de rir da minha cara e eu saí puto da água.

Minha nave tava toda quebrada.


Na areia, enquanto eu tentava explicar pra galera da barca como eu tinha conseguido quebrar minhas 2 pranchas no mesmo surf, eu me liguei que eu tive sorte, na realidade eu tinha muita sorte!


Ao contrário do carinha que tinha se ferrado todo, se não morrido, lá no Caldeirão, sem nem mesmo ter pego uma onda, eu tinha feito a cabeça e me divertido muito com meus amigos, enquanto apreciávamos e aprendíamos muito com todos aqueles pros mundiais, nacionais e locais surfando ao nosso lado num dia histórico.


Mais uma vez eu tinha muito trabalho pela frente, tomei umas vacas, mas a vida é assim, o importante é se divertir e aproveitar o aprendizado.

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