O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE III. A GUARDA.
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POR: KIKO BUNGUS

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE III. A GUARDA.

Continuando a saga do swell histórico de 86, eu lembro que no outro dia a tarde, depois do surf traumático na Joaca no dia anterior, eu ainda tava com meu pescoço duro e dolorido e lavando minha Style pra deixar ela secando enquanto consertava outras pranchas na firma de consertos da Troop’s, minha marca de pranchas e confecção surf wear na época.


Embora estivéssemos começando a fabricação de pranchas novas, com a laminação delas sendo feita na fábrica do China da Easy Rider na Boca do Gil, minha prancha nova ainda tava no forno e eu tinha que me virar com o que eu tinha.


Foi então que chegou o Carneiro com aquele jeito esbaforido atrás da prancha que tinha deixado pra dar um trato e falando que a Guarda tava quebrando de gala, que tinha que ir, que tava imperdível e que o Saul, irmão dele, já tava no carro esperando.


Caraca, eu não podia deixar passar a oportunidade de finalmente fazer minha cabeça, mas eu só tava com a Summerbird 6.0 doble wing swallow quadri e ela não era bem a prancha indicada pra uma Guarda grande e cavada.

Seria mais um surf estressante de sobrevivência e olhe lá.


Mas aí ele disse que o mar tinha baixado, que tinha 1 metro a 1 metro e meio e que se eu quisesse a barca tava partindo.

Colocamos as coisas no carro e vazamos.


Já na Guarda, chegando no centrinho, deu pra perceber que o crowd estaria insano.

Eu nunca tinha visto tanto carro e tanta gente.

Parecia que o Hang Loose tinha sido transferido pra lá.

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE III. A GUARDA.
O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE III. A GUARDA. - Foto: Marcos Kito Gungel

O Saul deixou o carro ali na frente da Bila, onde ele ficaria esperando a gente tomando uma gelada e nós fomos agoniados pra água.


Chegando na curva da trilha pro costão, onde dava pra ver bem o mar, eu senti o drama.

O mar tinha 2 metrão na série, ondas sem parar de 1 metro e meio e um crowd absurdo como esperado, mas aparentemente com onda constantes pra todo mundo.

O “Expresso Gamboa” em sua plenitude e condição espetacular!


A maré tava baixa, o rio com água marrom e gelada correndo forte e bastante corrente.

Aquela loteria, e com sorte sobrariam algumas pra nós.


Saltamos no rio deixando a corrente nos levar e no caminho dava pra ver uma procissão de surfistas vindo pela areia depois de pegar alguma onda que os deixou lá no meio da praia e mais uma galera fazendo fila pra pular da pedra.


A corrente tava sinistra e jogava bem pra baixo do pico lá colado no costão, onde alguns surfistas remavam sem parar atrás do posicionamento pra vir nas melhores.


O Carneiro teve sorte e assim que chegou no pico já aproveitou uma intermediária que veio antes da série e foi nela, já eu tive que me desviar dos que vieram nas ondas de trás e quase me atropelaram, com isso a corrente me jogou pra fora do pico e eu, que já tava meio morto, tive que remar muito pra baixo pra entrar na linha das ondas e me posicionar, mas aí eu já tava num local onde tinha que torcer pra alguém cair ou não ir pra sobrar pra mim e sem parar de remar.


Vi a raça toda pegando onda, dos conhecidos como o Kito, o Kxot, o Juninho, o Geraldo, o Betinho, o Frank vindo de joelho, uma raça de Floripa, um monte de gringos que eu só tinha visto em revistas e outros que eu nunca tinha visto mas quebravam!


Vi de camarote a diferença gritante no surf dos gringos, que geralmente faziam as quilhas aparecerem em manobras que desgarravam a rabeta, mas as ondas tinham tanta qualidade que todos faziam um surf bonito.


Foi então que em uma da série alguns surfistas se embolaram e ela sobrou limpa pra mim, eu só virei, dei um drop segurando a borda que pareceu uma eternidade e depois que cheguei na base fiquei extasiado com a visão da parede da onda, quilométrica e linda, mesmo parecendo de café.

Fiz a onda toda enquanto alguns conhecidos pelo caminho gritavam, naquela vibe que deixa o cara com sorriso fácil e extasiado.


Saí pra lá de onde agora fica o salva vidas e não podia conter a alegria.

Aquela onda já tinha valido tudo!


Na fila pra pular da pedra tinha mais de 20 cabeças, de conhecidos a gringos e o momento pra pular tinha que ser perfeito, tanto pra quem ia nas maiores quanto quem ia nas menores como eu, que tinha que escolher aquelas intermediárias que vinham espumando na pedra, um pouco mais gordas no drop, levantando um bowl depois e a uma parede quilométrica.

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE III. A GUARDA.
O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE III. A GUARDA.

Peguei várias, mas nenhuma tão grande quanto a primeira, até que já no fim de tarde, quando o crowd tinha diminuindo, veio outra da série mais pro lado perfeita pra mim, seria a minha saideira, porque eu não tinha mais braços nem pernas e quando dropei, chegando na base, só ouvi um berro e ai foi um rolo só.

Me embolei com um infeliz que tava embaixo, não avisou a tempo e fomos levados de arrasto até a gente se embolar em mais 2.

Porra, era aquela situação de cordinhas enroladas, cotoveladas, joelhadas, pranchas e corpos batendo na gente enquanto a onda nos levava, até que ficou raso suficiente pra cada um ficar em pé, ajudar a desenrolar as cordinhas, avaliar os danos e pegar seu rumo.


Eu não me machuquei mas minha prancha ficou com um malhão na borda e uma quilha pendurada.

Que merda! Já o cara que eu atropelei se fodeu, a prancha quase foi cortada ao meio por uma quilha (provavelmente a minha) e tomou uma bicada nas costelas, mas eu acho que não tive culpa, foi circunstancial!


Saí da água varado de fome, cansado e mesmo com o acidente na finaleira, eu tava de cabeça feita.


Pelo sorriso no rosto do Carneirão sentado na Bila eu sabia que ele tava amarradão, assim como a grande maioria daqueles que surfaram lá naquele dia de ondas alucinantes.


Melhor que aquilo, quem sabe só um Matadeiro tubular clássico, mas aí é outra história.

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