O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE II. A JOACA.

POR: KIKO BUNGUS

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE II. A JOACA

Então, continuando o relado do swell histórico de 86, lembro que depois daquele surf em Ponta das Canas, Canasvieiras e Praia do Forte, fiquei 1 dia me recuperando e 1 dia de serviço na 16ª CSM e depois de liberado as 8 da manhã depois da ordem unida no dia que saí do serviço, como combinado, meu irmão me pegou na escadaria ali na Vidal Ramos e tocamos pra Joaca, onde os preparativos pro começo do Hang Loose estavam a toda e chegar cedo seria fundamental pra conseguirmos lugar pra estacionar perto da praia.

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE II. A JOACA.
O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE II. A JOACA.

Chegando na decida da lomba pra Joaca ficamos de cara com a qualidade das ondas que vinham lá detrás do costão, como nunca tínhamos visto antes.

Parecia que os deuses do surf tinham conspirado pra transformar a Joaca naquele dia no melhor pico de surf do mundo.

Ficamos eufóricos, mas ao mesmo tempo preocupados. As pranchas eram pequenas pra aquele surf !


Na praia a raça caiu na real que as pranchas deles eram realmente pequenas e apenas eu com minha Style 6.4 teria alguma chance.


A responsa pesou em mim, ainda mais que na água só estavam os melhores do surf mundial, nacional, regional e local.

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE II. A JOACA.
O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE II. A JOACA.

A galera resolveu ficar lá nas dunas apreciando o surf dos pros e o mar de gatinhas desfilando de biquíni e colocaram uma pressão pra eu cair lá no meio, onde a raça fazia um free surf.


Minha cordinha da Pinguim grossa e novinha, que custou o olho da cara e que dava segurança, a prancha tão no pé que parecia nem precisar de parafa e a possibilidade de surfar ao lado de ídolos do surf mundial me fizeram ir pra água.


No caminho lá pro meio eu vi vários bichos bons pegando ondas alucinantes e tubos longos e secos. Era um show de surf ao vivo e por toda a praia, em picos piramidais pra direita e esquerda.


Lembro de ver o Gaminha e o Juninho Maciel pegando tubos e saindo limpos e eu só queria a chance de pegar alguma onda e fazer algo parecido, e com sorte, ter uma imagem registrada por algum dos vários fotógrafos profissionais dentro e fora da água.


Mas aos poucos a realidade foi substituindo a empolgação e percebi que embora as ondas estivessem perfeitas, em picos e que parecesse haver bastante espaço entre as séries e as ondas quebrando, elas estavam a quase 500 metros da praia, lá atrás.

Fiquei procurando uma saída de água que pudesse me jogar pra fora mais rápido e com segurança e pra não atrapalhar ninguém decidi ser o último lá no meio da praia, ali pelo pico do Pila Bomba.

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE II. A JOACA.
O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE II. A JOACA.

Dei sorte e minha entrada até que foi tranquila depois que eu esperei a série passar e me joguei na água remando pra fora como um alucinado.

Lá no out side, onde eu me considerava seguro, vi que eu estava meio longe da galera e remei mais pra perto deles pra me sentir mais tranquilo.


Fiquei bastante tempo recobrando o fôlego e analisando o mar.


O que eu imaginava serem ondas de 6 a 8 pés na realidade era mais pra 7 a 10 pés, o que me deixava tendo que escolher as menores e ficar de olhos abertos pra não tomar a série.


O problema é que as ondas estavam muito em pé e tubulares e na primeira direita que remei, na hora do drop vi que ela dobrou de tamanho e tive que puxar o bico pra não despencar lá de cima. Caraca, tava sinistro e eu já me sentia numa roubada danada.


Fui chegando mais pra perto da galera, vi alguém tomar uma vaca monstra numa esquerda e eu temia pela minha integridade física e moral. Deu dor de barriga!


E então veio uma onda com a esquerda abrindo perfeita pra mim, eu fui o mais pro rabo dela que eu pude, pra ter mais segurança, remei forte batendo até as orelhas e desci segurando na borda de back.

Minha quadri era rápida e as quilhas assobiavam com a velocidade. Eu sei que se atrasasse podia até pegar um tubo mas meu objetivo foi sobreviver e ir me acostumando e por isso fiz um surf de linha até a onda acabar.


Comemorei eufórico como se tivesse pego um tubo de 15 pés em Pipe com as mãos pra cima, mas logo a realidade me fez focar em voltar a remar lá pra fora com tudo antes que alguma série viesse.


Infelizmente, quando eu achava que já estava seguro, despontou no horizonte a maior série que eu tinha visto até ali, olhei pra esquerda e todos remavam rápido pra fora e eu fiz o mesmo, mas não deu tempo.


Quando vi que eu seria massacrado pelo trem que vinha eu respirei fundo até encher de ar cada molécula do meu corpo, larguei a prancha e mergulhei o mais fundo que pude até ser pego por um turbilhão monstruoso lá debaixo.

Me senti uma azeitona num liquidificador, sendo jogado pra todos os lados e meus membros pareciam trocar de lugar enquanto o calção queria sair pela cabeça.

O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE II. A JOACA.
O SWELL ÉPICO DE 86, PARTE II. A JOACA.

Quando finalmente o turbilhão me largou eu estava desorientado mas segui a claridade até conseguir colocar a boca pra fora da água e respirar o máximo que podia, mas então veio o ainda pior.

Estourou outra onda praticamente em cima de mim, meu pescoço destroncou na hora e começou tudo de novo, só que agora comigo com bem menos ar e pego com ainda mais força. Era como seu eu fosse um bonequinho de borracha nas mãos de um troglodita psicopata.

Eu já tava quase apagando quando lembrei de pegar e escalar a cordinha do leash pra ir pra superfície mais rápido e por sorte, lá em cima as ondas deram um tempo.


Ao olhar a prancha ela parecia o bico do sapato do Aladim, dobrada e trincada em 2 lugares.

Se eu não tivesse reforçado bem ela em um remendo anterior ela teria se despedaçado.

Ajeitei ela pra ficar mais reta, deitei nos seus restos mortais e esperei um espumeirão me varrer pra fora.

Saí da água tentando não parecer tão destruído, não cambalear tanto e esconder a vergonha, mas na praia vi vários outros surfistas com suas pranchas quebradas e pedaços de pranchas boiando na beira.

Aquela série varreu a raça.
Demorei pra encontrar a galera da barca e fiquei meio em off, baixando a cabeça a todo momento pra saírem os litros de água pelo nariz até irmos embora a tarde.

Eu tinha muito trabalho pela frente pra arrumar a minha melhor prancha mais uma vez e aquele swell ainda estava firme e forte pros próximos dias, que reservavam ainda mais emoções, mas aí já é outra história.

DICA DE LEITURA IN PARADISE

🌴Acesse: https://inparadise.com.br/
🌴Entre pro nosso Grupo de Boletim das Ondas do Telegram: https://t.me/inparadisesurfgrupo
🌴Canal Telegram: https://t.me/inparadise
🌴Siga-nos no Instagram: https://www.instagram.com/inparadise_site/
🌴Facebook: https://www.facebook.com/siteinparadise/
🌴Twitter: https://twitter.com/SiteInParadise
🌴Pinterest: https://br.pinterest.com/inparadisebr/

🌴You Tube: https://www.youtube.com/Siteinparadise

BAIXE NOSSO APP E FIQUE LIGADO EM TUDO QUE ACONTECE POR AQUI!

Confira mais promoções no In Paradise! Clique aqui!
IN PARADISE RADIO! OUÇA SEM MODERAÇÃO! CLIQUE AQUI!

In Paradise é um site de variedades e estilo de vida, voltado aos esportes, cultura e meio ambiente. Desde sua fundação em Abril de 2013, vem conquistando novos internautas apaixonados por esse nicho a cada dia. Esses internautas são homens e mulheres espalhados pelo mundo, que gostam de estar sempre antenados nas novidades e de experimentar coisas novas e divertidas.

Somos apaixonados por esportes, cultura, meio ambiente, moda, designer, fotografia, gastronomia e tudo que existe por ai de mais criativo.

Além disso, o In Paradise tem um layout amigável e integrado com as principais redes sociais interativas. O site se conecta com seus leitores por meio de um editorial relevante e original, construindo uma relação fiel de parceria com seu público.

Deixe seu comentário!

Comentários

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.