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NO TEMPO DO PÃO COM BANANA E CHAPATI.

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Por Kiko Bungus

Pra quem não sabe ou não viveu essa época, houve um tempo lá nos primórdios da existência de muitos surfistas onde o perrengue era grande e ir surfar era uma aventura, não só porque haviam poucas barcas de surf e ônibus com motoristas gente boa que deixavam o cara levar a prancha, como também conseguir uma carona pra praia era também difícil e arriscado.

Felizes daqueles surfistas mais abastados que podiam contar com pais que os levassem pra praia ou tinham carro próprio, então a grande maioria se virava como podia.

Alguns deixavam a prancha na casa de algum parente ou amigo próximo da praia e corriam o risco de ter ela aproveitada pela galera, o que destruía a prancha rapidinho. Outros apelavam pra ida de bike, busão ou carona e nesses casos era primordial levar um lanche pra não passar mal de fome até voltar.

Outros mais aventureiros acampavam na praia e faziam o rango como dava, geralmente na brasa, grelha ou chapa.

O lado bom desse perrengue todo é que o jovem surfista já ia aprendendo dotes culinários na marra, e só quem fez um arroz ou macarrão no fogo a lenha de improviso sabe o desafio.

Tá certo que a fome sempre foi o melhor tempero e os cardápios a base do que tinha disponível não eram pra paladares muito exigentes, então ninguém se importava se o arroz ou macarrão tinha ficado meio queimado, grudento, sem sal ou com sal demais, com areia ou algum inseto intrometido, o que importava era matar a fome e repor as energias pra próxima seção de surf.

Pra aqueles mais apreçados tinha o companheiro de todas as horas, o pão com banana, que no caso podia ser qualquer pão, até aquele levemente mofado, e qualquer banana, até aquela levemente passada. 

Já pros iniciados existia o Chapati, a receita herdada dos hippies e que fazia a alegria da galera depois do surf ao redor da fogueira. Sua receita fácil que consistia em qualquer farinha, misturada a água ou qualquer fruta, leite ou suco, formava uma massa que dava uma panqueca cozida na chapa, grelha ou direto na brasa. Ela podia ser coberta com mel, melado ou açúcar e sempre ficava deliciosa, pelo menos pros famintos.
Saber fazer um bom Chapati era credencial pra pegar uma gatinha, assim como saber tocar violão ou gaita. 

Hoje tanto ir surfar quanto se alimentar depois do surf tá muito mais fácil, mas isso em alguns aspectos é uma pena, pois fez muitos surfistas da nova geração perderem a conexão com a natureza e com a cultura surf raiz, aquela que trás muito do espírito aventureiro, da camaradagem e da vibe hippie.

Outros tempos, outras prioridades, outras facilidades e outra cultura. Mas que o surfista nunca perca o espírito do surf e saber o valor de um pão com banana e de um Chapati.

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