MALADA, MALADA (MALÁRIA, MALÁRIA)

POR: KIKO BUNGUS

MALADA, MALADA (MALÁRIA, MALÁRIA)

Era 2005 e eu tinha ido pra Indonésia já no fim da temporada, na esperança de pegar o dólar mais valorizado e melhores preços, uma vez que desde 2000, Bali e regiões mais turísticas vinham tendo uma inflação de praticamente 25% ao ano pros estrangeiros e com a grana que antes ficávamos 3 a 4 meses, agora só dava pra ficar 1 ou 2, o que é pouco, pela trabalheira danada que dá chegar lá e pular de ilha em ilha atrás das ondas.


A prata balinesa também já tinha deixado de ser moda aqui no Brasil, então essa fonte de graninha extra também tinha secado.


Sendo assim, nas últimas semanas da trip, pra economizar e poder ficar alguns dias a mais aproveitando o pouco crowd, optei por me instalado em um warung bem em frente da onda de Bingin, uma das mais divertidas da ilha e próximo de Padang e Uluwatu, uma vez que a brasileirada toda já tinha vindo embora e eu não tinha mais ninguém pra rachar um quarto de pousada.

MALADA, MALADA (MALÁRIA, MALÁRIA)
Visual do line up de Bingin do ponto de vista do Warung de frente pro pico. 2005

Lá eu pagava apenas pelo que eu consumia e não me cobravam nada por ficar dormindo nas espreguiçadeiras de bambu usadas pro descanso e massagem dos frequentadores do lugar.


Só instalava o mosquiteiro e colocava uma toalha na hora de dormir e pronto, o cansaço se incumbia de me fazer desmaiar e só acordar com os primeiros raios de sol no rosto, o que era maravilhoso, já que eu era sempre o 1º dentro da água e me deixava na preferência no pico.


Só que com o tempo eu fui relaxando e muitas vezes dormi ali jogado sem mosquiteiro, porque era mais fresco assim, sabia que os casos de malária em Bali era raríssimos e normalmente ocorriam em áreas ainda selvagens e remotas da ilha, bem longe dali do Bukit, onde eu estava.


Mas então no meio de uma noite eu acordei sentindo calafrios, ondas de frio seguidas por ondas de calor, febre, certo enjoo e muita sede.


Pra mim era apenas um mal estar, quem sabe por conta de algo que comi, por muito sol ou desidratação.

MALADA, MALADA (MALÁRIA, MALÁRIA)
MALADA, MALADA (MALÁRIA, MALÁRIA)

Não dormi mais até amanhecer e de manhã minha cabeça parecia que ia explodir.


Nem pensei em surfar e a Ketut, dona do warung, me perguntou o que eu tinha que tava ainda deitado e tão quieto, parecendo doente.


Falei pra ela o que estava sentindo, ela colocou a mão na minha testa, se espantou com a febre, olhou atentamente fundo nos meus olhos, deu um passo pra trás e disse que podia ser “malada”, como alguns chamavam a malária.


Caraca, se fosse malária eu tava ferrado! Eu tava quase sem grana, não tinha seguro de saúde, e os hospitais públicos balineses faziam o nosso SUS parecer o Sírio-Libanês ou outro hospital particular de ponta.


Seria melhor eu morder um Baicú venenoso e esperar a morte do que ir pra um hospital público de lá!

MALADA, MALADA (MALÁRIA, MALÁRIA)
MALADA, MALADA (MALÁRIA, MALÁRIA)

Bom, nos momentos em que eu estava lúcido, sem delirar por conta da febre alta, me agarrei em Deus e todos os anjos, santos e seres iluminados que podia lembrar, como faz quem está em desespero, e meu foco foi beber muita água, tentar me alimentar e descansar. As vezes eu tinha que me deitar na água do mar pra refrescar a temperatura do corpo.


Mas não sei se era pra tirar onda da minha cara, me assustarem ou os sintomas eram mesmo parecidos, mas alguns blis (garotos locais) e pessoas de outros warungs falavam que podia ser malária mesmo e que outros casos tinham ocorrido na região por conta de uma temporada de chuvas mais longa que o normal.


Comecei a tomar os chás que me levavam e alguns outros remédios, além de sopas reforçadas e depois de 3 dias de febre, mal estar, calafrios e angústia eu já estava bem melhor.


No 4º dia até voltei a surfar no fim de tarde, como uma comemoração a vida e até hoje não tenho certeza o que ocasionou aqueles dias de dor, febre e mal estar.


Só sei que não tem nada como ver a morte pra darmos muito mais valor pra vida e imaginar que qualquer problema é melhor que estar em um leito de hospital.

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