KONTIKI DO LESTE. (LAGOINHA INDOMÁVEL)

Por: Kiko Bungus

Era meados dos anos 90 e nós passávamos a época da pesca da tainha surfando as ótimas ondas da Lagoinha do Leste em paz.

O barraco do Beto Boca no canto direito da praia era nosso refúgio e de lá tínhamos uma vista privilegiada, sobre tudo do pico no costão direito.

Nessa ocasião em especial já havíamos surfado ótimas ondas durante a semana toda mas a chegada de um vento sul “rasgando” era o prenúncio de coisa boa a caminho.

A noite foi um pouco assustadora e gelada por conta do vento fortíssimo mas na manhã seguinte veio o prêmio, pelo menos aparentemente.

Do nosso mirante particular vimos a plenitude do swell gigante varrendo toda a praia, em linhas de espuma que fechavam a baia de costão a costão.

Lá no out side do out side, pra fora das 2 pontas entre os 2 costões quebrava uma esquerda incrível, lembrando muito a onda de Kontiki em Punta Hermosa no Peru.

Pouquíssimas vezes tínhamos visto aquela onda quebrar, mas naquele dia ela estava especialmente perfeita e bonita, uma vez que a água estava clara e céu limpo.

A esquerda parecia ter uns 10′, quebrava a aproximadamente 1 Km da praia e vinha esparramando com preguiça, enquanto a direita nervosa fechava rápido, se espatifava com uma explosão atômica no costão esquerdo, jogando água a vários metros de altura e dando uma demonstração da força da pancada.

Estávamos eu, o Beto Boca Lamego, o irmão do Kong e o alemão que ajudou a construir o barraco, olhando aquele espetáculo meio incrédulos e o sentimento era meio conflitante, entre sair correndo pra água e preservar nossas vidas.

Mas as ondas nos chamavam e a gente procurava uma maneira de entrar e conseguir nos posicionar no mar sem risco de levar uma série na cabeça e arriscarmos nossa frágil existência terrena. O posicionamento seria fundamental já que onde as ondas quebravam e praticamente não existiam referências

KONTIKI DO LESTE. (LAGOINHA INDOMÁVEL)

Depois de muito tempo estudando o mar decidimos arriscar o surf e começamos a nos arrumar.

Era evidente o nervosismo de todos enquanto a gente botava a roupa de borracha e conferia bem o equipamento. Eu me imaginava escalando o Everest.

Caminhamos lentamente pra grande pedra do costão direito de onde saltaríamos no mar, sempre olhando e estudando bem as condições.

O Boca iria 1º já que tinha a maior prancha e nós iriamos atras.

Eu fui com a minha 6’8 do Kxot que tava no pé, mas naquela condição eu não estava tão seguro, já o irmão do Kong tava com uma 6’4 mas tava mais tranquilo.

Antes de chegar na pedra eu fui acometido por uma dor de barriga incontrolável e tive que aliviar minha angústia intestinal e peso na moita mais próxima. De lá eu via eles se preparando pra pular da pedra e acelerei como pude minha fisiologia metabólica excretora pra não ficar pra trás.

Esperamos o momento certo logo depois que a ultima onda de uma grande série varreu a pedra e pulamos remando como loucos pra chegar logo ao canal mais pra fora.

O começo da remada depois que chegamos ao canal até que foi suça, mas a medida que fomos seguindo mais pro out side começamos a perceber a dificuldade que seria pra gente se localizar.

Mantínhamos uma distância segura, sempre controlando a posição de cada um, mas quando a primeira série quebrou lá fora a situação ficou tensa.

A espuma gigante que nos pegou fez com que a gente perdesse os outros de vista e era muito difícil furar aquele espumeirão com nossas pranchas.

Ficou claro que o mar tava bem maior do que imaginamos e aquelas ondas tinham pelo menos 12 a 15′.

Sei que em determinado momento veio uma espuma de onda mais em pé e quando tentei furar fui arremessado da prancha e chacoalhado como um bonequinho até quase perder o fôlego.

Depois vieram mais alguns espumeirões e quando finalmente consegui pegar minha prancha ela tava rachada ao meio.

Puta que pariu, não peguei nenhuma onda, quebrei a prancha e ainda teria que sair daquele mar tomando cuidado de não ser pego pela corrente do inside e jogado nas pedras do costão esquerdo.

Tentei achar alguém pra avisar que teria que sair mas não encontrei mais ninguém, então mirei no costão direito e fui remando de volta pra lá como quem tinha um olho na nuca, pra não ser pego de surpresa por uma série no lugar errado.

Em determinado momento eu fui engolido pela força do espumeiro de outra série e agarrando como uma ostra na prancha pra não deixar ela separar em 2 pedaços eu fui arrastado, como quem era levado por uma manada de búfalos até a areia e cuspido do mar como um inseto.

Sai da água todo torto e com água até no espírito, mas agradecido por estar vivo.

No caminho de volta pro barraco caiu a ficha da idiotice que tínhamos feito e fiquei muito preocupado com a integridade do resto da raça.

Quando pisei no barraco vi que eu tinha sido o 1º a chegar e lá de cima vi o irmão do Kong vindo na praia com a prancha em 2 pedaços também.

Depois de algum tempo estávamos todos lá no mirante olhando incrédulos aquele mar que tinha acabado de nos massacrar, com equipamentos, egos e tudo.

Nos restou comemorar a experiência de termos tentado e termos saído vivos.

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