FOME DE SURFISTA.

FOME DE SURFISTA.

POR: KIKO BUNGUS

A fome, ah a fome, ela é capaz de revelar o melhor e o pior de cada indivíduo e pessoas famintas são capazes de tudo, ainda mais quando sabem que o alimento está distante e o acesso é difícil, principalmente em um acampamento precário longe da civilização e cheio de surfistas.
 
Pois então, uma memória sempre puxa a outra e depois de lembrar da cachaça na Lagoinha do Leste, lembrei da comida.
 
Quando a galera se programava pra ir pra Lagoinha ficar alguns dias acampado ou no barraco do Boca, tínhamos que levar comida suficiente pra nos manter pelos dias especificados, sabendo que provavelmente iríamos esticar caso as condições estivessem boas, o que quase sempre acontecia.
FOME DE SURFISTA.
FOME DE SURFISTA.
Focávamos em alimentos que não estragassem pela falta de refrigeração, como carne seca, feijão, arroz, farinha, macarrão, café, leite condensado ou em pó, açúcar, mel, etc.
 
Não adiantava levar coisas doces porque as formigas achavam, atacavam e acabavam com tudo, além de transformarem o acampamento em um formigueiro.
 
Todo o alimento não era só cobiçado por nós surfistas famintos, mas também por todos os animais do mato, de gambás e quatis a lagartos, ratos, cobras e afins.
 
Até os “bois do campo”, como eram chamados os bois e vacas criados soltos, visitavam os acampamentos atrás de quitutes variados pro cardápio deles, de pães a farinha e sal.
FOME DE SURFISTA.
FOME DE SURFISTA.
Era normal os animais comerem a comida da galera desavisada que ia acampar lá e nós, “macacos escaldados”, tínhamos a técnica de amarrar tudo e deixar suspenso em galhos ou pendurado dentro do barraco, mas mesmo assim, vez ou outra, éramos surpreendidos por algum animal mais astuto que levava parte das provisões.
 
Então a técnica era comermos tudo que era mais atrativo nos primeiros dias, como o leite condensado, leite em pó e mel, e o resto irmos racionando o máximo possível.
 
Logo que algo bom era aberto era um Deus nos acuda pra comer o máximo possível no mínimo de tempo, com a gulodice dos selvagens famintos, sem nenhum respeito a regras de etiqueta ou sanitárias.
 
Caiu no chão, um sopro forte resolvia e areia era tempero.
 
A medida que as provisões iam acabando e queríamos esticar mais a estadia, apelávamos pra pesca de pitus nos riachos e na lagoinha, tatuíras na beira da praia, e se as condições estivessem boas, pegar mariscos e pescar no costão, que sempre trazia ótimas surpresas.
 
Por vezes encontrávamos peixes moribundos na beira mar e não pensávamos 2 vezes antes de mandar eles pra panela.
 
Nada era desperdiçado e tinha ocasiões em que a panela parecia que nem precisava ser lavada de tão limpa que ficava depois de meticulosamente rapada e até lambida.
 
Famoso polimento com saliva.
 
Como eu disse, larica é coisa feia e revela o lado mais obscuro das pessoas, principalmente depois de seções de surf de 4, 6 ou mais horas ininterruptas.
 
Por vezes parecia temermos pelo canibalismo.
 
Mas exagero a parte, quem desse mole podia ser garfado, tanto figurativamente quanto literalmente.
 
Era só bobear na hora de se servir enquanto a galera atacava a panela vorazmente.
 
Educação e demonstração de alguma formalidade ou etiqueta, só quando tinha alguma gatinha junto, senão era a lei do mais forte e rápido.
FOME DE SURFISTA.
FOME DE SURFISTA.
As únicas regras que tínhamos era que quem cozinhava não lavava a louça e o último a chegar pra comer lavava a ou as panelas.
 
Mas a gente procurava cozinhar em apenas 1 panela ou no máximo em 2, pra evitar o saco que era lavar elas depois de cozinhar no fogão a lenha e ficar aquela crosta preta que só saia ariando na beira do mar.
 
E por fim, quando não existia mais opção de nada aproveitável pra uma refeição, nem que fosse pirão de marisco, arroz com tatuíra, ou marisco na brasa, e os calções já não seguravam mais na cintura, era a hora de juntar as últimas forças pra subir o morro e voltar pra civilização.
 
A fome é a ganância do estômago e do organismo e com fome e sem alimento o homem vira bicho feio e selvagem.
 
Feliz de quem pode voltar pra casa e ter a comidinha da mãe.

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