A SEGUNDA VISÃO DA MORTE - SURF NO CAMPECHE

POR: KIKO BUNGUS

A SEGUNDA VISÃO DA MORTE – SURF NO CAMPECHE

Já tínhamos surfado ótimas ondas todo aquele sábado e pelo fim de tarde dava pra notar que domingo prometia, por isso escondi minha prancha na vegetação ali atrás do Bar do véio Chico no Campeche, onde habitualmente escondíamos quando a intenção era voltar pra lá no outro dia.


Meus parceiros de pedalada pra praia tinham puxado o bico porque iam num esquema com as gatinhas e falaram que não iriam tão cedo no domingo.

Eu já tava mais pro surf mesmo porque vivia mal de grana nessa época, investindo o que dava na minha firma de serigrafia.


No domingo, quando passei a ponte dava pra sentir aquela leve brisa de terral.

Condição ideal pra Igrejinha no Campeche, como eu previa.


Não deu outra, quando finalmente cheguei no pico e olhei o mar de cima das dunas mal acreditei na perfeição de ondas em pico pros 2 lados, água clara, corrente bem de leve de sul e parecia ter perto de um metro e meio na série espaçada.


Deixei a bike na areia, peguei a prancha, fiz aquele aquecimento migué de quem tava louco pra entrar logo na água, mas me contive quando percebi que não tinha mais ninguém pra me acompanhar no mar.


Passou o filme daquela 1ª vez que quase morri em 4 Ilhas uns 2 ou 3 anos antes e o trauma ainda tava bem vivo na memória, embora meu treinamento forte em apneia tivesse me deixado bem mais seguro no mar.


Esperei mais uns instantes e quando a próxima série entrou com aquelas ondas lindas eu não me contive, fiz aquela oração básica pra dar um pouco mais de confiança e fui.


A prancha tava no pé, a cordinha tava legal e eu ia fazendo um check list mental pra amenizar a ansiedade enquanto varava as ondas, que tavam mais fortes do que imaginei e quebrando bem lá fora.


Finalmente cheguei no out side, dei um tempo pra ganhar fôlego enquanto analisava o mar e espiava a areia pra ver se chegava mais alguma cabeça pra me acompanhar.


As ondas perfeitas com aquele leve terral eram uma tentação irrecusável, então comecei minha seção amarradão e ficava ainda mais animado a cada nova onda que pegava.


Já tinha pego algumas quando entrou uma série grande com ondas perfeitas chamando como gatinhas morenas com vestido esvoaçante vindo ao meu encontro de braços abertos num dia de verão.

Eu não pensei, remei forte e me joguei num drop vertical, mas quando cheguei na base a prancha imbicou e eu fui arremessado, torcido e esfregado como um pano de chão lá debaixo d’água, mas tudo bem, tudo sob controle!

Sentia a prancha puxando a cordinha com força e quando finalmente cheguei na superfície, mal pus a cabeça pra fora e senti uma pancada fortíssima da prancha no meu queixo.

Foi nocaute na hora!

Ficou tudo escuro, sentia dor mas nem enxergava nada como quem leva uma reta no meio do nariz, então só tentava ficar na superfície enquanto esperava a visão voltar aos poucos.

A SEGUNDA VISÃO DA MORTE - SURF NO CAMPECHE
A SEGUNDA VISÃO DA MORTE - SURF NO CAMPECHE

As ondas não paravam enquanto eu apalpava minha boca, dentes e queixo adormecidos pra sentir a situação, mas consegui me manter flutuando até agarrar a prancha e ficar grudado nela esperando as ondas me levarem pra praia.

Eu tava bem tonto e mal conseguia sentir a boca. Parecia que tinha quebrado a mandíbula e os dentes ficaram despedaçados, mas era só a impressão pela dor.


Eu sentei na praia e fiquei ali com aquele ar desconsolado, vendo meio errado aquelas ondas lindas entrando e eu ali me sentindo um cachorro atropelado que babava sangue enquanto esperava a morte chegar.


E agora vivia um dilema, caminhava até a Av. Pequeno Príncipe e tentava encontrar a polícia pra me levar no hospital ou esperava alguém ali mesmo?


Um tempo depois chegou a raça e eles tinham ido com uns camaradas de carro.

Ficaram de cara com a situação do meu queixo.

Parecia que eu tinha 2 bocas, uma cheia de dentes e outra cheia de fibra de vidro.


Lavei o machucado lá no Bar do Chico depois que abriu e fizemos um curativo temporário até a raça dar um banho rápido e dali tocamos pro H.U.

Levei 13 pontos externos, 3 pontos internos e 3 na gengiva, mas mantive minha integridade dental!


Eu que já vinha me preparando fisicamente e psicologicamente pro surf lembro que fiquei bem desapontado na hora, mas hoje vejo que pra aquela situação eu me saí bem justamente por causa da preparação, embora a gente nunca esteja preparado pra tudo, principalmente quando se está sozinho.

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